Magia de Salomão & Feitiçaria GA Feitiçaria Goética é um dos sistemas  que compõem o corpus mágico da Ordem do Lotus Negro.  As raízes espirituais da Feitiçaria Goética remontam a mais alta antigüidade da Teurgia Caldaico-Akadiana  e, mais recentemente, as coleções de feitiços, rituais e encantamentos dos Grimôrios Salomônicos. Os grimórios eram livros  de magia prática escritos entre o final da Idade Média e o século XVIII.

Para entender melhor a Feitiçaria Goética temos que estudar as lendas e histórias ligadas  a Tradição Mágica Salomônica.

Reza a lenda que o Rei Salomão (segundo algumas cronologias, reinou de 1009 a .C. a 922 a .C), filho do Rei David com Bate-Seba, tornou-se no terceiro rei de Israel (reino ainda unificado) e reinou durante quarenta anos depois da morte de Davi.  O nome Salomão ou Shlomô (em hebraico: שלמה, deriva da raiz Shalom, que significa “paz”, tem o significado de “Pacifico”.  Foi quem, segundo a Bíblia (em Reis e em Crônicas), ordenou a construção do Templo de Jerusalém, no seu 4.º ano, também conhecido como o Templo de Salomão. Depois disso, mandou construir um novo Palácio Real para o Sumo Sacerdote, o Palácio da Filha de Faraó, a Casa de Cedro do Líbano e o Pórtico das Colunas. A descrição do seu Trono era exemplar único em seus dias. Mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas cidades fortificadas e torres de vigia.

Os Grimórios Tradicionais   

Existe uma série de textos mágicos que, dizem, representam a magia salomonica ou que foram escritos pelo Rei Salomão. Os dois mais famosos são a Chave Maior de Salomão e o Lemegeton – A Chave Menor de Salomão. Salomão era famoso pela sua grande sabedoria e pelas lendas que contam que ele controlava vastas ordens de espíritos e djînn; a magia salomonica é principalmente uma arte de evocação de espíritos atravéz dos selos. Na realidade, são poucos que acreditam que essa forma de magia verdadeiramente deriva do legendário Rei Salomão e é ainda menos provável que ele tenha escrito os livros em questão. Essa forma de magia è muito antiga, mesmo se os famosos manuscritos citados são do século XI ou mais tarde ainda; a magia salomonica è provavelmente fortemente ligada a magia babilonesa e poderia também haver penetrado na tradição hebraica durante o exílio da Babilônia. Muitos dos demônios da Goetia são deuses e espíritos da tradição babilonesa e de outros povos da região mesopotâmica.

Salomão na Antiguidade

O Testamento de Salomão é um antigo manuscrito pseudepigráfico, escrito em grego, mas baseado em um texto judeu, atribuído supostamente ao Rei Salomão. A versão grega provavelmente foi escrita no Séc. 300-400 d.C.,mas deve ser o resultado de várias tradições, tendo sua origem no mundo judaico. Com todacerteza, já existia e era conhecido no tempo de Jesus, mesmo que posteriormente tenha sofrido acréscimos cristãos. Este texto pretende oferecer um conhecimento bastante completo sobre os demônios e a maneira de dominá-los.

Esse documento histórico vem ilustrar o processo de construção do Templo de Israel que vai ser citado no “Livro de Reis” do Velho Testamento e em alguns evangelhos.  Ele discorre sobre os demônios que Salomão teria subjugado com o poder de um anel dado pelo arcanjo Miguel e colocado a serviço da construção do grande Templo dedicado a Jeová. Salomão é destacado nesse apócrifo como um dos primeiros feiticeiros e especialista nas artes nigromânticas. Por fim ele disponibiliza uma longa lista de demônios que fazem parte da mitologia judaico-cristã, assim como suas características, ações e os nomes dos anjos que os frustram.

O pesquisador Charlton Mc Cown afirma que as fórmulas e receitas mágicas do Testamento de Salomão o associam aos papiros mágicos gregos (PGM). Ele identificou as principais ideias desse documento; isto é, demonologia, astrologia, angeologia, magia e medicina. Em outro documento conhecido como “Sabedoria de Salomão”, composto no primeiro século a.C, Salomão é retratado como o maior ocultista de sua época: estudou astrologia, magia das plantas, demonologia, adivinhação, mas também physika, ciência natural.

É necessário salientar que no mundo antigo sempre havia feiticeiros profissionais de todos os tipos, em todos os níveis. Alguns eram obviamente estudiosos treinados, uma figura sacerdotal – como os teurgistas neoplatônicos. No caso da figura, lendária ou real, de Salomão este é tradicionalmente visto como um feiticeiro erudito, um estudioso das ciências ocultas de sua época, mais parecido como um sacerdote egípcio, com uma espécie de mística.

Salomão na Idade Média

A Clavícula de Salomão é o mais antigo, e o mesmo tempo, o mais célebre tratado de Magia Cerimonial européia. O texto (grimorie) essencial para evocar, proteger e prender espíritos de todos os gêneros, creditado a Salomão, o Rei.

A atribuição de uma obra a um personagem famoso era um recurso literário muito utilizado na Antiguidade e na Idade Média. Não era incomum, naquele tempo, os chamados Grimórios (livros de Magia) serem escritos por mais de uma pessoa. Em geral eles consistiam do esforço comum realizado  por um grupo de estudiosos de compilação de materiais transmitidos oralmente há muito tempo, sem que fosse possível atribuir-lhes um autor específico.

A Magia de Salomão está intimamante ligada a Magia hebraica e babilonesa. Alguns  estudiosos  afirmam que o sistema originou-se com os judeus no período denominado de “Cativeiro da Babilônia” e após alcançar a Idade Média sofreu um processo de sincretismo cristão da doutrina de anjos e demônios. Uma das inúmeras edições da Chave nos diz como este livro foi enterrado com Salomão em seu túmulo e depois levado para a Babilônia por um príncipe desse país. “Todas as coisas criadas” devem obedecer aos seus segredos.

Provas circunstanciais demonstram que a Chave de Salomão realmente existiu, em uma forma ou outra, desde a antiguidade mais remota. Segundo os historiadores do assunto, e ao contrário do que seu título sugere, este livro não foi escrito pelo Rei Salomão. Supõe-se que Salomão tenha nascido em 1033 anos antes de Cristo. A maioria dos manuscritos originais tratam dos séculos XVI e XVII d.C, entretanto há uma versão em grego do século XV d.C e mesmo no século I a.C. denominado: “o Testamento de Salomão”.

Como dito acima os grimórios (manuais de magia) conhecidos pelo nome de Clavículas de Salomão são bem numerosos. Vários deles permaneceram manuscritos, sendo incontestavelmente os mais interessantes. O mais popular consta de 36 Pantáculos divididos em sete categorias, uma para cada planeta visível. Essas Clavículas, que são aplicações práticas da Kabbalah, contêm ensinamentos talmúdicos e “Palavras de Poder”. Algumas de suas Palavras de Poder, a própria forma dos processos, apontam para velhas origens semíticas e babilônicas. Se aceitarmos o fato, em torno do qual há uma concordância geral, de que as origens do ocultismo ocidental estão, em última instância, em fontes caldeu-akadianas, poderemos começar a entender a influência que este personagem semi-lendário (Salomão) exerceu na tradição oculta do ocidente.

Outras pistas sugerem que a Chave se derivou de um corpo de conhecimento mágico iniciado ou usado por Salomão, que na época circulava entre os feiticeiros da parte oriental do Mediterrâneo.

Como nos relata Flavius Josephus, existiu um livro semelhante a Chave de Salomão na Antiquidade, Eleazar, o Judeu exorcizava demônios com sua ajuda e com o Anel de Salomão, que é bem conhecido dos leitores das Mil e Uma Noites.

Essa outra linha de pensamento é interessante, no que diz respeito às afirmações de que a magia de Salomão está intimamente ligada à magia praticada no Antigo Egito e atribuída a Hermes Trimegistos – identificado com o deus egípcio Thoth. O termo hermético ainda é utilizado para designar operações alquímicas e obras secretas.

É interessante observar que “A Clavícula de Salomão” era um grimório largamente utilizado por bruxas e feiticeiros na Idade Média. Algo que, mais tarde, foi sendo preservado junto ao  agregado folclórico/ natural e pagão da Velha Arte e introduzido aos poucos na estrutura litúrgica da Bruxaria. Por isso que, ainda hoje em dia, encontramos o uso de fórmulas cabalísticas de Magia Cerimonial em  sendo utilizada em muitas tradições de Bruxaria.

o Legemeton ( ou “Clavícula Menor de Salomão”)

Tem havido confusão nos comentários e na história, devido ao fato de que vários livros circularam sob o título de Chave de Salomão. Naturalmente não podemos ter certeza sobre quanto do trabalho, como se conhece hoje, é original, e quanto deve ser atribuído a adições posteriores. Por exemplo, o Lemegeton, algumas vezes denominado de “a Pequena Chave de Salomão” ou “a Goetia” é outro livro atribuído ao autor célebre e que trata exclusivamente da conjuração de espíritos planetários, ora vistos como anjos ou tidos como anjos caídos ou demônios, além de ritos para evocá-los.

Lemegeton é dividido em cinco partes:

Ars Goetia
Ars Teurgia Goetia
Ars Paulina
Ars Almadel
Ars Notória

O Lemegeton do Rei Salomão descreve a Magia da seguinte forma:

“Magia é o conhecimento mais elevado, mais absoluto e mais divino no que se refere à Filosofia Natural, avançando em seu trabalho e operações maravilhosas, com um correto conhecimento das ocultas e internas virtudes das coisas, assim, para poder aplicar Agentes corretos em pacientes Adequados, produzindo estranhas e admiráveis efeitos. Quando os Magos são buscadores profundos e cuidadosos na Natureza, eles, por seus conhecimentos, sabem como antecipar um efeito, que para os vulgares parecerá um milagre”.

Feitiçaria Goética

Apesar do fato que a Magia Salomônica usa invocações angelicais e contém orações e tributos a Jeová, ela tem uma marca fortemente demoniaca e, por isso, goetica. Já nas lendas sobre Salomão, descobrimos os seus encontros regulares com demônios e djînn: ele entra em disputa com demônios como o irreverente Moloch que permite aos djînn de mostrar a propria arte magica em frente a ele e a rainha de Saba.  Mesmo se a maior parte dos manuscritos salomonicos venha do período medieval e do renascimento, é possível deduzir que muitas das informações contidas nele são muito mais antigas. O “Testamento de Salomão, um texto gnostico de Nag Hammadi, descreve a criação de quarenta e nove demônios andrógenos, os quais “nome e função encontramos nos livros de Salomão”: esse é um referimento muito mais antigo que um texto salomonico. A Magia Salomonica era provavelmente praticada em alguns círculos de gnosticos e Kiesewettwe, um estudioso alemão, hipotizou que o termo “lemegeton”, o qual significado é desconhecido e muito discutido, corresponde ao nome de um mago gnostico.

A Magia Goetica muitas vezes é chamada “baixa magia” ou feitiçaria, ao contrário da “Alta Magia Teurgica”. A baixa magia, como no caso da Feitiçaria Goetica, é muito vista como uma forma de magia finalizada a objetivos mesquinhos, mas se estudamos os dois tipos de magia é evidente que todas as duas satisfazem tipologias altas e baixas de desejos humanos. O conceito de “baixa magia”, quando falamos de Goetia, não vai interpretado em termos qualitativos; os demônios ensinam as artes mais rafinadas e trazem sabedoria.

A palavra Goetia vem de uma palavra que indica a magia e a bruxaria: um goetes era um tipo de mago escuro, ou bruxo, diferente do magus-sacerdote. Hoje, o termo magus pode também indicar as formas mais tenebrosas de pratica magica (e alquimia), mas a antiga denominação de um mago escuro e de um conjurador de demônios era goetes. Mesmo sendo a Goetia o documento principal da feitiçaria goetica, essa tradição nao è baseada somente nela; existem outros textos salomonicos e demonológicos, como o “Dragon Rouge” e o “Grimorium Verum”, que podem ser definidos como goeticos, assim como os grimorios de Faust como “Magia naturali et innaturalis” e textos demonológicos qabalísticos como “A Magia Sagrada de Abramelin o Mago”. Assim a  denominaçao “Feitiçaria Goetica” cobre todo o sistema mágico qliphothico e da Kabalah Qliphóthica ou “de mão esquerda”.

Tudo indica que a Feitiçaria Goética teve seu início entre os feiticeiros gregos que viviam na região da Tessália, local que reza a lenda ocorreu a batalha entre os Titãs e os deuses olímpicos.Os tessalianos herdaram a Magia dos Persas. Devemos nos lembrar que os persas invadiram a Babilônia e dominaram todo o território da Mesopotâmia.

A Feitiçaria Goética do Lótus Negro é um sistema que invoca as forças anticósmicas personificadas pela deusa Tiamat, o Dragão Fêmea do Caos que é a mãe de tudo aquilo que existe e de todos os deuses. Essa corrente anticósmica, caótica, luciferiana destroi todos os conceitos estagnados de cosmos e logos tal como os conhecemos e almeja a dissolução do Ego e de todos os obstáculos (internos e externos) que impedem a  realização da Verdadeira Vontade do magista.