De todos os animais que pisaram ou pisam o planeta Terra, o ser humano é o único que tende a autoflagelar-se. Inclusive as hienas, animais predadores com péssima fama, sabem quando se retirar ou quando frear a fim de poder evitar a dor ou uma mordida mais forte.

Alguma vez você já se perguntou de por que sentimos saudades das pessoas que já não estão? Que é que dói tanto se já não estão mais presentes? O que é o que nos custa superar uma relação que chegou a seu fim?

O que sentimos falta das outras pessoas não é sua chegada, não é sua presença e nem também o seu amor. O que sim verdadeiramente temos saudades é o que nos fazia ser essa pessoa.

Claro está que nem sempre somos as mesmas pessoas. Somos uma pessoa para nossa família, temos outro comportamento com nossos amigos e outro para nosso casal. E é precisamente ali onde se encontra o grande ponto em questão: na maioria das vezes, quase sempre, o ser humano não sente saudades das pessoas, senão que dele mesmo.
O que quero dizer com isto? Quero dizer que nos sentíamos felizes, que sentimos falta de fazer coisas que pensávamos que nunca íamos fazer por alguém, que sentimos saudades de ser ridículos, que sentimos saudades de pensar em dois, e que, enfim, sentimos saudades de ser o que a outra pessoa nos fazia ser e crescer.

Por isso é que suspeito que a melhor forma de viver em paz é fazendo as melhores coisas para nós mesmos, sem por jamais em risco nossa saúde mental. E quando falo de saúde mental, devo inexoravelmente voltar ao princípio deste texto, porque é disso do que quero falar, do masoquismo que usamos para oprimir a nós mesmos.

Quando nos inteiramos de que uma pessoa nos deixou por outra ou que uma ex vai se casar de novo ou ainda que o “sem-vergonha” ajeitou sua vida antes do que nós, não nos dói sua ausência. Não, não. Dói saber o que ela é capaz de fazer, de dar, de se entregar. Dói-nos porque temos memória, porque sabemos como a danada beija bem, sabemos as surpresas que ele é capaz de brindar, sabemos a maravilha que ela pode tornar em nossos dias.

E tão masoquistas somos, que evitamos pensar em todas essas coisas, trocando as nossas lembranças boas pela cara do maldito Ricardão ou pelo corpo “daquela vaca” que acompanha nosso ex casal agora. Lamentamos, ficamos emburrados, fechamos em copas…

“Pra que fazer isso gente?” A hiena evita a dor e foge ante a possibilidade de ferir-se. E nós, que temos a possibilidade de viver, esquecer ou simplesmente recordar as coisas boas, nos dedicamos a nos angustiar por tudo o que passou, e pior ainda, o que passa, mas em outra casa, em outro lugar.

Porque será que sendo os únicos animais privilegiados com a possibilidade da escolha sem agir por instinto, o ser humano escolhe, às vezes, deliberadamente sofrer?

Ironicamente me lembro daquela famosa frase que afirma que “O burro (ou a hiena) é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra!”, o que em realidade é uma grande e absoluta mentira, mas que pode ser relativa se o “burro” for um adjetivo humano. Afinal estamos cansados de ver nossos amigos tropeçando uma e outras vezes -em ocasiões dando de chifre- nas pedras emocionais que obstaculizam sua felicidade. Vai entender?!?